terça-feira, 30 de julho de 2013

Estresse Infantil

Mais da metade da nossa população é constituída por crianças, e nessa grande população constamos uma incidência de estresse infantil bastante elevada.
            O Brasil, país emergente no cenário mundial, em constante desenvolvimento transforma-se em um fator ambiental de grande relevância no crescente aumento das taxas de estresse.
A realidade é que a estrutura familiar moderna leva a uma diminuição do tempo de interação entre pais e filhos, e empurra os pais para um sistema de autocobrança e, ao mesmo tempo, de cobrança excessiva da criança, como se os pais procurassem compensar o tempo gasto fora de casa com uma maior intensidade criada em torno de expectativas de grandes resultados.
Se, algumas décadas atrás, a criança iniciava sua escolarização por volta dos 7 anos, hoje, o contato da criança com o meio externo ocorre muito mais precocemente, por intermédio da creche, dos jardins-de-infância e da pré escola. Evidentemente, esse novo sistema traz inúmeras contribuições pedagógicas à criança, que se socializa mais cedo, interage mais precocemente com outras crianças e desenvolve suas habilidades de forma mais produtiva, porque, acima de tudo, é mais bem e muito mais estimulada.
No entanto, a precocidade da relação entre criança e meio ambiente pode provocar, algumas vezes até por desvios pedagógicos familiares ou escolares, um sistema de cobranças excessivas, as quais podem se transformar em elementos geradores do estresse infantil: ter de submeter-se a horário para acordar, brincar, alimentar-se, dormir é uma novidade que, quando imposta de uma forma não absolutamente natural, provoca ansiedade e estresse muito cedo na vida infantil. Principalmente mães que trabalham fora- cobram de seus filhos carinho, desempenho e bom comportamento com mais intensidade e com menos naturalidade, desencadeando inconscientemente mais estresse.
Outras situações também podem desencadear estresse na criança, como doenças, hospitalizações e perdas diversas. Crianças que necessitam ser internadas em decorrência de problemas de saúde, que são submetidas a procedimentos muitas vezes dolorosos e que, além disso, precisam manter-se afastadas de seu ambiente cotidiano, de sua família e de seus amigos, desenvolvem alto grau de ansiedade e estresse.
O estresse não é, em si mesmo, uma doença, mas quando intensa ou prolongada, a reação ao estresse pode enfraquecer o organismo, levando-o a uma condição que propicia uma queda no funcionamento do sistema imunológico de tal porte que vários sintomas e doenças podem manifestar-se.
Ele pode manifestar-se tanto no corpo como na mente. Quando uma pessoa esta sujeito a uma tensão muito grande, ela pode manifestar doenças que já ocorreram na família e para as quais tenha predisposição genética. O estresse “procura” um órgão mais enfraquecido ou mais vulnerável, para nele se manifestar. O estresse assume a face de quem o tem.
Enfim, durante todo o desenvolvimento intelectual, emocional e afetivo, nossas crianças se confronta com momentos em que a tensão de sua vida alcança níveis muito alto, às vezes ultrapassando sua capacidade ainda imatura para lidar com situações conflitantes. Se os adultos a seu redor responderem ás tensões da vida com ansiedade e angústia, a criança aprenderá a agir assim também. Mais tarde, quando confrontada com fatores causadores de estresse, ela terá a tendência imediata para se sentir angustiada e ansiosa.
Em muitas ocasiões, a criança que não aprendeu a lidar com o estresse poderá tornar-se um adulto fragilizado, altamente vulnerável ao estresse e, consequentemente, uma pessoa que poderia ser considerada de alto risco com relação á aquisição de várias enfermidades cuja origem é o estresse, mas mesmo as crianças mais sensíveis podem aprender estratégias para enfrentar tensões. Essas estratégias ajudam a reduzir a probabilidade de virem a ter problemas ligados ao estresse.
É fundamental, portanto que os pais ensinem a seus filhos como lidar com a tensão. Porém muitas vezes isso se torna difícil quando estes pais também não sabem como enfrentar o estresse, pois eles próprios sofrem suas consequências. O que temos visto é que pais estressados, geralmente, têm filhos estressados, por serem um exemplo negativo.
É fundamental, nesta perspectiva, que profissionais da área da saúde, assim como toda população, estejam alertas para o fator ambiental como gerador de estresse, fato cada vez mais presente na vida moderna.

E QUANDO O ESTRESSE ATINGE NOSSO FILHO?

Naturalmente, se já é difícil aceitar a ideia de que uma criança esta estressada, isso se torna muito mais difícil quando a criança em questão é nosso filho. A sensação de culpa, de responsabilidade trona-se tão grande que, sem querer, a maioria dos pais tentam ignorar os indícios do estresse em seus filhos.
 Na realidade, os pais não deveriam sentir-se tão culpados quanto ao estresse dos filhos, porque os possíveis erros involuntários que cometem na educação deles não os tornam nem culpados nem maus pais. Todos erramos, e considerando que não se faz um curso sobre como ser pai ou mãe adequados, torna-se natural que cometamos alguns enganos. O importante é ter sempre a intenção de acertar e, se os erros forem cometidos, que se tente solucionar o problema, minimizando os efeitos negativos do que aconteceu.
Uma boa notícia é que o tratamento do estresse pode reverter a maioria dos casos de distúrbios provocados pelo excesso de tensão emocional. Deve-se ter cuidado, porém, para que o tratamento trabalhe na causa e não apenas nos sintomas do estresse.
É necessário ajudar a criança a entender o que se passa com ela e a desenvolver estratégias mentais para lidar com os fatores conflitantes e difíceis de sua vida. Tratar o sintoma alivia o desconforto atual, preserva a saúde e  permite uma qualidade de vida melhor, mas não ensina a criança a lidar com a futuro. Em outras ocasiões, ela precisará saber lidar com o estresse cada vez maior o que significa crescer e entrar no mundo do adulto. Se não aprender um modo adequado de lidar com a vida, a criança vulnerável ao estresse será também um adulto vulnerável.
Considerando que a criança estressada será, muito provavelmente, um adulto estressado  torna-se muito importante tratar o estresse na infância ou na adolescência, não somente a fim de preservar a saúde e o bem estar nessa fase especial da vida, mas também para garantir uma sociedade com adultos mais capazes, mais bem ajustados e mais resistentes as inúmeras batalhas e dificuldades que a vida nos traz, principalmente em um pais em desenvolvimento como o Brasil. Quando o estresse é tratado adequadamente, a criança- mas também o adulto- pode desenvolver meios para lidar com as tensões e os desafios de modo positivo e pode até aprender a usar o estresse a seu favor.

(referências do livro: Crianças estressadas. Causas, sintomas e soluções. Lipp, 2008)


Continuarei a publicação trazendo contribuições sobre as fontes de estresse na criança sejam elas interna ou externas, os sintomas do estresse e como ajudar.

Texto de Jandira dos Anjos Alencar.



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